- Se eu soubesse que no mundo
- Existia um coração,
- Que só por mim palpitasse
- De amor em terna expansão;
- Do peito calara as mágoas,
- Bem feliz eu era então!
- Se essa mulher fosse linda
- Como os anjos lindos são,
- Se tivesse quinze anos,
- Se fosse rosa em botão,
- Se inda brincasse inocente
- Descuidosa no gazão;
- Se tivesse a tez morena,
- Os olhos com expressão,
- Negros, negros, que matassem,
- Que morressem de paixão,
- Impondo sempre tiranos
- Um jugo de sedução;
- Se as tranças fossem escuras,
- Lá castanhas é que não,
- E que caíssem formosas
- Ao sopro da viração,
- Sobre uns ombros torneados,
- Em amável confusão;
- Se a fronte pura e serena
- Brilhasse d'inspiração,
- Se o tronco fosse flexível
- Como a rama do chorão,
- Se tivesse os lábios rubros,
- Pé pequeno e linda mão;
- Se a voz fosse harmoniosa
- Como d'harpa a vibração,
- Suave como a da rola
- Que geme na solidão,
- Apaixonada e sentida
- Como do bardo a canção;
- E se o peito lhe ondulasse
- Em suave ondulação,
- Ocultando em brancas vestes
- Na mais branda comoção
- Tesouros de seios virgens,
- Dois pomos de tentação;
- E se essa mulher formosa
- Que me aparece em visão,
- Possuísse uma alma ardente,
- Fosse de amor um vulcão;
- Por ela tudo daria...
- — A vida, o céu, a razão!
- Casimiro de Abreu
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Casimiro de Abreu - Desejo
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